Franco da Rocha
3 anos atrás

A chuva que devastou Franco da Rocha

A chuva que devastou Franco da Rocha

Foram 154 mm de água em quatro horas. O que choveu na madrugada de quinta para sexta equivale a 154 litros de água por metro quadrado. Para piorar a situação, perto das três da manhã, o prefeito Kiko recebeu do Cedec (Coordenadoria Estadual de Defesa Civil) uma mensagem de celular com o aviso de que a Sabesp aumentaria a vazão da represa Paiva Castro para 10 m3/s. Não deu tempo para muita ação. Mas a principal delas foi feita: a Defesa Civil do município foi imediatamente acionada. A equipe intersecretarial da prefeitura montou logo cedo um comitê para atender as demandas que viriam: a cidade amanheceu alagada.

Trens e linhas municipais e interestaduais de ônibus ficaram com circulação prejudicada e algumas estradas tiveram o acesso interrompido. Muita gente que voltava de outras cidades para casa à noite ficou pelo meio do caminho e dormiu onde encontrou espaço para só chegar em Franco depois das onze da manhã.

Várias casas foram atingidas. Dos prédios públicos, os mais afetados foram a sede da prefeitura, a Câmara Municipal, a delegacia, o Centro Social Urbano (CSU), o Ginásio Esportivo Paulo Rogério Lanfranchi Seixas e o fórum. A Prefeitura de Franco da Rocha passou a atender na Secretaria Municipal de Educação, no Centro da cidade. O Centro Cultural Newton Gomes de Sá e o Clube das Acácias, se transformaram em locais para atender as famílias desabrigadas e funcionaram como um dos pontos para receber as doações. O prefeito Kiko pedia para que as famílias que moram em áreas de risco deixassem suas casas e viessem para um dos polos de abrigo. “Mas muita gente não queria sair de suas casas, o que é compreensível, elas têm medo de perder as suas coisas”, lamentou. Kiko deu várias entrevistas e entrou ao vivo nos principais jornais televisivos dando esclarecimento e satisfação a toda a população.

Infelizmente houve o registro de uma vítima fatal. Um homem, com cerca de 30 anos, que ainda não foi identificado. Ele foi resgatado próximo ao Supermercado Russi, localizado na região central, ainda com vida, mas morreu no hospital. Aparentemente ele tentou atravessar o alagamento e se afogou.

Dona Maria Olinda e a altura da água
Dona Maria Olinda e a altura da água

No final da tarde de sábado, 27 famílias receberam abrigo da prefeitura e 15 delas foram encaminhadas para a casa de parentes e amigos. “Nós fazemos o cadastro da família para averiguar as necessidades de cada um. A primeira providência é entrar em contato com parentes e amigos. Caso precisem elas podem ficar aqui”, detalhou a Secretária de Desenvolvimento Social, Ana Maria Ribeiro. Doações e voluntários chegavam a todo momento. Por meio das Redes Sociais a população estreitou a união e ajudou a divulgar os itens de primeira necessidade que faltavam no atendimento. A secretaria também orientou um grupo para levar mantimentos e ajuda para moradores de bairros distantes. As regiões com o maior número de pessoas desalojadas foi o Lago Azul Ortiz, a Vila Nossa Senhora Aparecida, as ruas Poá e Taubaté.

Por volta das 17h, a represa Paiva Castro finalmente atingiu o nível ideal e as comportas foram fechadas. As águas começaram a baixar.

Domingo de limpeza

Era quase impossível não se comover com a cena. Logo cedo, várias pessoas auxiliavam a equipe de limpeza na retirada da lama e sujeira que a enchente deixou pelas ruas. No primeiro dia de limpeza da cidade foram mobilizados 14 caminhões pipas, 12 retroescavadeiras, 5 caminhões hidrojato, entre equipamentos da prefeitura, de prestadores de serviço e até emprestados por outras prefeituras. Eram mais de 180 pessoas trabalhando. A prioridade adotada foi a de limpar as ruas centrais para garantir acesso de todos e a circulação normal dos ônibus. Na sequência a equipe passou para os bairros.

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