Franco da Rocha
3 anos atrás

A história de José Parada e o amor por Franco da Rocha

A história de José Parada e o amor por Franco da Rocha

“Eu já morei em Araçatuba, Rubiácea, Itapetininga, uma série de cidades por aí afora. Mas a cidade que eu mais gostei de morar foi aqui em Franco da Rocha”.

O professor José Parada é uma das pessoas mais carismáticas de Franco da Rocha.

Sempre tem uma palavra amiga, atende à todos que o procuram com carinho e ajuda à sua maneira quem precisa.
É o responsável, ao lado da Liga Filantrópica de Senhoras, pela distribuição de cerca de duas mil sacolas de Natal para as famílias carentes no fim do ano. Ele é muito querido na cidade. Neste mês de março ele completa 90 anos. A reportagem do Juca Post foi até sua residência conhecer sua história de amor com Franco da Rocha.
Ele nasceu no dia 17 de março de 1926 na cidade de São Joaquim da Barra, filho de dona Iracema Domingos Parada e do Sr. Rubem Parada, numa família de 7 irmãos. Do primeiro casamento restaram então somente o irmão Antonio, que reside em Campinas e o prof. José Parada. Depois o Sr. Rubem se casou novamente e teve mais 4 filhos. Com a segunda esposa, dona Maura Américo Brasil Parada, o Sr. Rubem teve mais 4 filhos.

INFÂNCIA ESCOLAR

Sr. Rubem Parada era maestro militar do exército brasileiro. Depois que ele se aposentou foi reger a banda do município de Nuporanga e a família precisou então se mudar para essa cidade. Anos depois a família teve que seguir o Sr. Rubem para a cidade de Pirassununga, onde o menino José Parada concluiu o primário e o ginasial. Depois disso, a família mudou-se novamente e foi parar em Campinas, onde o menino José Parada passou a frequentar o colégio Liceu Nossa Senhora Auxiliadora, que era particular, porque não havia vaga no colégio estadual. Mas, depois de algum tempo, o custo ficou alto e o Sr. Rubem Parada se viu forçado a transferir o menino para o colégio do estado.

Concluído o curso colegial, José Parada ingressou no curso para formação de professor, conhecido na época como “Normal”, no Ateneu Paulista em Campinas. Foi nessa época que a família se mudou novamente, agora para a capital paulista. E então José Parada foi terminar o curso na escola normal livre Dr. Veiga Filho, que ficava no bairro da Liberdade. Quando a família do Sr. José Parada chegou à capital paulista eles foram residir na rua José de Alencar, no Brás, próximo à estação ferroviária. “Naquele tempo era sossegado. A gente saia à noite e não acontecia nada. Não era perigoso como hoje”, conta José Parada.

RETRETA DOMINICAL

Foto: Divulgação / Reprodução
Foto: Divulgação / Reprodução

O Sr. Zé Parada conta que as crianças da sua época acreditavam em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa. Ele classifica isso ao modo como seus pais lhe criaram. No domingo a família toda ia para a praça para ver a banda de seu pai tocar. Era conhecida como retreta dominical. Com tempo esse hábito foi mudando, segundo ele, porque seus irmãos foram ficando mocinhos e foram se engraçando com as mocinhas, suas irmãs flertando com os mocinhos e a banda do Sr. Rubem Parada já não era o motivo central da visita à praça.
Em maio de 1945 todo mundo saiu para as ruas para festejar o término da 2ª Guerra Mundial. O pessoal soltava fogos, cantava, se abraçava, todo mundo ficou feliz. E quando os pracinhas (soldados do exército brasileiro, conhecidos também como expedicionários) retornaram da Itália foi aquela festa para recepcioná-los. José Parada conta que sua irmã se correspondia com um deles na Itália através de cartas.

CIDADE TERNURA

Ele conta que na década de 40, sua irmã Amélia começou a namorar um estudante de Franco da Rocha, o Hélio Pazinato, e de vez em quando eles vinham passar o domingo na casa dele. E foi assim que a família ficou conhecendo a cidade e se apaixonando cada vez mais pelo lugar. E em 1959 ele veio em definitivo para Franco da Rocha depois de ingressar no magistério e escolher o 1º Grupo Escolar da cidade para dar aulas.

“Eu já morei em Araçatuba, Rubiácea, Itapetininga, uma série de cidades por aí afora. Mas a cidade que eu mais gostei de morar foi aqui em Franco da Rocha. Vim para ficar uma pequena temporada, mas acabei ficando por aqui, porque o povo daqui é muito hospitaleiro. O povo daqui é maravilhoso”, conta. “Eu saio na rua e todo mundo me conhece, vem me cumprimentar. Eu faço minhas caminhadas toda manhã. Mas sou interrompido, porque as pessoas vem me cumprimentar. Eu mais paro para conversar do que faço a caminhada. Mas eu gosto. É muito gratificante ter amigos” fala sorrindo.

FOOTING

A mocidade da época costumava se reunir na Praça Dom Bosco, onde tinha a farmácia do Sr. Jorge e onde se fazia o footing na rua Jundiaí (atual Dr. Hamilton Prado).

“A gente ficava até tarde da noite, sentado naqueles bancos conversando. Por volta das 1 e meia da manhã, cada um ia para sua casa, sem perigo algum. Não havia bandidagem”, conta José Parada.

Nessa época já existia o Serviço de Alto-falante Guanabara, que tinha o alto-falante bem em cima do morro do escadão que dava para a praça Dom Bosco. Quando eram 22h00 o som era desligado. Alguns iam para suas casas, outros continuavam ali na praça.

O Clube Dezessete era o reduto da alta sociedade e o Clube do Expedicionários era a camada mais popular que frequentava, assim como o do Flamenguinho e do Corintinha.

GRUPO ITINERANTE

Em dezembro, mais precisamente na passagem de ano, um grupo de amigos saia pelas ruas da cidade, na madrugada, visitando as famílias franco-rochenses. José Parada conta que o cortejo começava na casa do Sr. Duílio Genovalli e depois passava pela casa do Sr. Edemar Fonseca, onde dona Idalina recebia todos com muito carinho. Depois o grupo seguia em direção à casa da família Blumberg Lanfranchi e acontecia a mesma coisa. Dali, o grupo seguia em direção à residência do Sr. José Seixas Vieira. “Eles nos tratavam como se fizéssemos parte da família. Era uma grande satisfação visitar essas famílias”, conta. E o grupo ia aumentando. Era final de madrugada e o grupo se preparava para visitar a próxima casa, que era da Cleusa Moreira, filha do Sr. Enéas. O cortejo natalino era encerrado na casa do Mário Boito, onde dona Cida Parada, irmã do José Parada, aguardava a todos como uma farta mesa de fim de ano.
Mas a noite não terminava aí. Depois disso, o grupo seguia em direção ao morro do Cruzeiro onde eles soltavam foguetes, rojões e morteiros para acordar a população e saudar a chegada do ano novo.

O CENTRO ESPÍRITA

José Parada conta que foi em 1964 que ficou sabendo através da Federação Espírita que havia um centro espírita na cidade. Descobriu o endereço. O centro ficava na rua Domingos Ortiz. Então, num belo dia, ele foi até o local. Lá encontrou uma turma maravilhosa, segundo ele. Com o passar do tempo ele foi conquistando as pessoas e acabou sendo eleito o presidente do Centro Espírita Luz e Caridade. Ficou por muito tempo no cargo, mas com o passar dos anos foi perdendo suas forças e foi se sentindo cansado e decidiu deixar o posto para outro. Ele vai completar 90 anos e não se sente mais em condições de ir rotineiramente até o local, porque não tem a mesma mobilidade de antes, e como não dirige, fica ainda mais difícil. O atual presidente é o Sr. Sebastião Zeferino e Jose Parada o presidente de honra.

FAMÍLIA PARADA

José Parada é casado com dona Helena. Eles têm 4 filhos: André Luis, Hipólito (Pile), Paulo José e Roberta e 4 netos. Ele conta que conheceu dona Helena quando frequentava o extinto Grêmio Dezessete de Dezembro.

ACERVO FOTOGRÁFICO

Uma das paixões do José Parada são as fotos antigas de Franco da Rocha. Ele tem milhares, todas catalogadas e pretende algum dia passar para o Museu da cidade. Ele diz que não passou ainda porque foi orientado pelo ex-prefeito Roberto Seixas a não fazer isso, porque quando havia algo semelhante, muitas fotos sumiram.

Atualmente quem o ajuda é Cleber Leme que digitaliza as fotos e organiza em pastas. Ele vai passar essas fotos para um DVD e distribuir para as escolas e para quem se interessar pelo acervo fotográfico de Franco da Rocha.

LIVRO DA CIDADE

José Parada escreveu o livro “Conto, Canto e encanto com minha história”, Editora Nova América. O livro relata a história de Franco da Rocha e das pessoas da cidade que mais se destacaram. Quem o ajudou digitando todo o texto foi a amiga Clélia. Ele diz que o projeto só se tornou possível porque na época contou com o apoio do prefeito Marcio Cechettinni, através da diretoria de Educação do município.

HOMENAGEM JUSTA

Foto: Divulgação / Reprodução
Foto: Divulgação / Reprodução

Ele conta que sua maior alegria foi quando o governador Geraldo Alckmin aprovou o projeto da vereadora Neiva Hernandez, endossado pelo deputado Beto Ticoli, que empresta seu nome à escola estadual do bairro da Pretória.

Fonte: Jornal Juca Post

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