Brasil tem dia de greve nesta sexta

Brasil tem dia de greve nesta sexta
Foto: Érica Aragão / CUT
Publicado por Redação Franco Notícias no dia 29/05/2015 em Brasil

A manifestação das centrais sindicais contra o projeto de lei que regulamenta as atividades de terceirização no país e contra o ajuste fiscal interdita, neste momento, a Avenida do Estado, sentido centro, na capital paulista. O grupo concentrou-se, desde as 6h, na Ponte das Bandeiras, sobre a Marginal Tietê. Às 9h, eles iniciaram a caminhada que deve terminar no Parque Dom Pedro, no centro da cidade, próximo à prefeitura.

De acordo com as lideranças, cerca de 500 pessoas participam da manifestação. A Polícia Militar faz uma estimativa de 200 manifestantes. Eduardo Chicão, presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores da Energia, Água e Meio Ambiente (Fenatema), disse que o projeto da terceirização, que encontra-se atualmente no Senado, poderá precarizar o trabalho no país.

“O que estão fazendo hoje em âmbito nacional, em propagada feita pelas empresas, é dizer que a regulamentação da terceirização é boa para o Brasil, isso não é verdade. Vai precarizar o serviço e o sistema de trabalho no Brasil. O que eles querem é maximizar os lucros deles, em detrimento dos salários dos trabalhadores”, disse ele.

Renê Vicente dos Santos, vice-presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), disse que a terceirização será prejudicial aos trabalhadores. “O projeto vai precarizar as condições de trabalhao, retirar os direitos que temos hoje garantidos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Temos uma preocupação muito grande”, disse.

Centrais interditam estradas em São Paulo no Dia Nacional de Paralisação

Sindicalistas promovem desde o começo da manhã de hoje (29) interdições de vias da cidade de São Paulo, do litoral e de municípios paulistas em atos do Dia Nacional de Paralisação, convocado pelas centrais sindicais. O Dia Nacional de Paralisação foi convocado pela Central Única dos Trabalhadores, Central dosTrabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Conlutas, Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Intersindical e Nova Central, além de movimentos sociais, como forma de protesto contra mudanças na terceirização, contra as Medidas Provisórias 664 e 665 (que alteram regras para concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários) e em defesa dos direitos e da democracia.

Por volta das 8h, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrava trânsito acima do normal para o horário. Ao menos 121 quilômetros de vias estavam com lentidão ou tráfego parado na região do centro expandido, espaço que fica entre as marginais Tietê, Pinheiros e o centro da cidade.

Entre os bloqueios estão a Ponte das Bandeiras, com fechamento de duas faixas de rolamento na Avenida Santos Dumont, sentido Santana. Há ainda interdições no cruzamento da Rua Afrânio Peixoto com a Alvarenga, rumo à Universidade de São Paulo (USP) e na Avenida Nações Unidas, próximo a Ponte do Socorro, em direção à Rodovia Castelo Branco.

Na Baixada Santista, a principal via de acesso ao Porto de Santos está interditada no sentido Guarujá, na altura do Km 268 . As interdições provocam filas de dois quilômetros. Mais cedo, entre às 5h40 e 7h30, os dois lados da rodovia foram bloqueados.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, as manifestações contaram com a adesão dos trabalhadores da General Motors. Na cidade, as atividades foram paralisadas. O sindicato informou que há greve por 24 horas na empresa Avibras e mobilizações entre os metalúrgicos da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer).

Metroviários adiam greve em São Paulo

Os metroviários do estado de São Paulo decidiram, em assembleia, adiar a greve para terça-feira (2 de junho). Haverá nova assembleia na noite de segunda (1º) para ratificar a decisão.

Os trabalhadores resolveram esperar a próxima audiência de conciliação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), entre a Companhia do Metropolitano de São Paulo e os metroviários, marcada para para 1º de junho, na expectativa de sensibilizar o governo de SP para as reivindicações da categoria.

O TRT propôs reajuste salarial de 8,82%. O mesmo reajuste seria aplicado ao vale-alumentação e à participação nos lucros. O presidente do sindicato dos metroviários, Altino de Melo Prazeres, disse que “a proposta do tribunal é insuficiente, mas dá para trabalhar”.

Segundo Altino, o TRT pediu que a categoria aguardasse a próxima audiência de conciliação para decidir pela greve. “Concordamos em esperar até segunda”, destacou. Os trabalhadores presentes também concordaram e votaram por adiar a greve.

Professores e técnicos entram em greve em universidades federais

Professores e trabalhadores técnico-administrativos de instituições públicas de ensino superior entraram em greve hoje (28), por tempo indeterminado, em vários estados. Os profissionais querem pressionar o governo federal a ampliar os investimentos na educação pública.

Na semana passada, o governo anunciou contingenciamento de recursos do Orçamento Geral da União 2015. Na área da educação, que sofreu maior redução de gastos, serão cortados R$ 9,423 bilhões.

Entre as reivindicações dos funcionários, estão a reestruturação da carreira e a reposição de 27% das perdas salariais. O último reajuste foi em 2012.

Os docentes aprovaram a greve no dia 16 de maio, em reunião do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), em Brasília. De acordo com o sindicato, a paralisação atinge 19 instituições. Na lista, estão a Universidade Federal Fluminense e as federais de Alagoas, Sergipe, do Tocantins, Pará, Amapá e de Lavras (MG).

“Houve uma expansão significativa das universidades federais, mas as condições da expansão são precárias. Tivemos, além de dificuldades que já existiam, um contingenciamento de recursos nos três primeiros meses do ano. As universidades não estão conseguindo pagar as suas contas”, diz o presidente do Andes-SN, Paulo Rizzo.

Os trabalhadores técnico-administrativos decidiram pela greve em plenária nacional na segunda-feira (25). Segundo a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra), na última reunião feita com o governo, no dia 22 de maio, foram apresentadas posições que “efetivamente não acatam a centralidade” das demandas dos trabalhadores.

A Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), que representa 11 sindicatos, entende que agora não é momento para a paralisação. “A negociação acabou de começar”, diz o presidente da federação, Eduardo Rolim. Segundo ele, o cronograma de diálogo estabelecido com o governo segue até julho.

Rolim explica que a categoria recebeu reajuste que variou de 25% a 44% em 2012 e que o acordo tem validade de três anos, prazo que terminou em março. “Agora é necessário garantir um novo reajuste. Além disso, há necessidade de reestruturar a carreira. Para que haja reajuste no próximo ano, o governo precisa enviar a proposta para ser votada pelo Congresso até agosto”, afirma.

Com as greves, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) antecipou a reunião do Conselho Pleno, que ocorreria no dia 29 de julho, para o dia 9 de junho.

O Ministério da Educação (MEC) publicou nota ontem (27) na qual critica a decisão pela greve “sem que seja precedida por um amplo diálogo”. A pasta diz que a deflagração do movimento agora só faria sentido “quando estiverem esgotados os canais de negociação”.

“Normalmente, o Poder Público atende tanto quanto pode, segundo realidades conjunturais, recursos disponíveis, agendas e acordos consagrados, sempre tendo em vista o fim superior, que é a educação inclusiva, de qualidade”, diz a nota. O ministério destaca que continua disposto a dialogar com a comunidade das instituições federais.

Com informações da Agência Brasil.

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