Conversei com Timba e descobri o segredo de um dos melhores hot-dogs da região

Conversei com Timba e descobri o segredo de um dos melhores hot-dogs da região
Publicado por Bianca Ludymila Peres no dia 09/11/2016 em Caieiras

Cheguei ainda na abertura da banca de cachorro-quente mais famosa de Caieiras, o Timba, que abre nas noites caieirenses para a galera matar a fome, tradição na região, eu sempre comi essa delícia e finalmente conseguimos conversar para o Franco Notícias, foi um prazer para quem aprecia essa comida desde a época do Orkut, quando eu participava da comunidade “Eu como no TIMBA“, velhos tempos, mas o sabor desse hot-dog continua inigualável.

Bia pergunta : É e ai quanto tempo faz que você trabalha aqui?
Timba: comecei a vender o meu cachorro-quente em 96, mas naquela época ainda usava um carrinho igual aqueles de filme, sabe? Foi um começo difícil, mas com o tempo conquistei meu quiosque.

Bia: Por que você começou com o dog? Foi ideia de alguém ou você teve essa vontade?
Timba: Foi não eu comecei na escola quando eu estudava na Armando Sestine a noite , e la eu vendia cafezinho vendia coxinha na hora do recreio entendeu? ai na hora do recreio eu ficava pensando que quando não tinha aula no fim de semana e quando foce as férias né e como que eu ia fazer depois , ai um cara falou . : Meu você poderia vender cachorro quente .
E eu nem sabia.

Bia: Você tinha quantos anos?
Timba: tinha 20 … a 30 anos!

Bia: 30 e hoje você tem quantos?
Timba: 52.

Bia: Então faz 20 anos que você esta nessa luta?
Timba: É … ai tinha um colega meu que trabalhava ali do lado da Bifarma ai um dia eu falei para ele que eu estava cansado também.

Bia: Você fazia oque?
Timba: Eu trabalhava com alto peça , peças para carros, essas coisas lá em São Paulo, trabalhei lá quase mais de 15 anos, mais ai a firma fechou.

Bia: Ai hoje você vive cem por cento do dog?
Timba: É sim, cem por cento pelo dog.

Bia: E durante o dia você fica batendo perna?
Timba: Ai não né, eu trabalho também com reciclagem. Os bares de amigos separam as latinhas para mim, ai eu pago para eles a metade do preço entendeu? O Deck é um dos que me ajudam nesse sentido, mas eu também curto a vida e durmo por dia o que umas 3 horas ou 4 horas. Tenho que comprar as mercadorias para o quiosque, limpá-lo, deixar tudo em ordem também, o tempo passa rapidinho.

Timba Dog (foto: Bianca Ludymila)

Timba Dog (foto: Bianca Ludymila)

Bia: E a família?
Timba: Fico em casa 3 ou 4h, minha esposa também trabalha, ela tem dois empregos, como enfermagem e radiologia, além disso tenho duas filhas, uma trabalha em uma loja de roupas na Paulista e a outra na padaria do Ferdezoni.

Bia: poxa, uma família guerreira então?

Timba: É, por que a gente já esta no ritmo, cada um com o seu objetivo.

Bia: E em casa, é tranquilo você passar a noite?
Timba: É tranquilo, ela trabalha um dia sim um dia não e nem fico em casa também, já estou acostumado, sempre trabalhei puxado. Eu comecei a trabalhar em Alagoas com uns 12 anos de idade.

Bia: Conta mais pra gente sobre quando você começou a empreender
Timba: Sou alagoano, vim para cá aos 14 anos, estudei na Armando Sestine, também estudei em São Paulo, na Pompeia, no Monte Alegre, do lado da PUC, onde eu estudava a noite e fazia bico em uma pizzaria aos finais de semana. Era anos 80, não tinha esse monte de motoboy, eu entregava pizzas nos prédios daquela região.

Bia: Sempre envolvido com a comida e nunca foi gordo
Timba: (Risos) apesar disso, nunca pensei em trabalhar assim, com comida, nunca pensei.

Bia: Serio? E foi acontecendo?
Timba: É foi acontecendo.

Bia: E sua expectativa para aposentadoria? como é que é?
Timba: Eu pago por conta, né. Corri atrás de tudo, eu tenho 52 anos, me informaram que a se eu continuar tudo certinho, aposento com 65.

Bia: Então ainda tem uns anos de guerra.
Timba: É, mas do jeito que está, vou continuar trabalhando mesmo aposentado, tudo é muito caro.

Bia: É esta cara mesmo. E vem cá eu vejo que você compra as coisas tudo aqui no Federzone e o custo dos benefícios?
Timba: É algumas coisas de primeira necessidade, mas muitas mercadorias eu compro no Atacadão.

Timba Dog (foto: Bianca Ludymila)

Timba Dog (foto: Bianca Ludymila)

Bia: E como você vai para o Atacadão ou Roldão sem carro?
Timba: Eu pego ôníbos, ou vou até mesmo de bicicleta. Eu não gosto de carro. Minha esposa tem carro, as vezes ela me dá uma força, mas não gosto de atrapalhar.

Bia: Você dirige?
Timba: Não, eu não gosto de dirigir, eu so gosto da minha bicicleta ou de moto. Cheguei a comprar uma moto em 2003 , mas roubaram, aí desanimei.

Bia: Porque você escolheu este horário, da noite até a madrugada?
Timba: Todo lugar tem um louco né? (Risos) O premiado foi eu né, então tenho que segurar a onda, tenho que atender da mesma forma quem aparece aqui às 10h, quanto às 5h da madrugada, seja alguém voltando da faculdade ou da balada, mesmo bom atendiemnto.

Bia: E você é feliz?
Timba: Lógico! Não bebo, não fumo, não tenho muitas coisas, mas sou muito feliz.

Bia: Sua escolha é mesmo a de uma vida simples, tranquila?
Timba: É uma vida tranquila. A verdade é que tem hora que o pouco com Deus é muito.

Bia: E as questões dos impostos, é muito?
Timba: Pago tudo certinho, desde a época do carrinho de cachorro-quente até hoje em dia com o quiosque.

Bia: Você fica na madrugada, deve sar um certo medo. Você já sofreu um assalto?
Timba: Já fui uma vez assaltado.

Bia: Uma vez só?
Timba: Uma vez só. Eu estava chegando, vacilei né meu, foi questão de momento. O cara veio de moto, encostou e me assaltou.

Bia: Agora fala aqui pra mim, o que você vende, estou com fome, quero comer
Timba: Minha especialidade é o cachorro quente clássico, com batata palha, maionese, purê, ketchup e mostarda. Tudo montado na hora com capricho.

Bia: Para a galera sair de barriga cheia e ficar feliz
Timba: É, tudo sem muita frescura, as vezes as pessoas que estão com muita fome comem 2 ou 3.

Timba Dog (foto: Bianca Ludymila)

Timba Dog (foto: Bianca Ludymila)

Bia: E você vende no pão francês também ou e só no pão de dog?
Timba: É francês e no pão de dog também.

Bia: entendi, e refri tem tudo ai?
Timba: Tem refrigerante, mas de alcoolico só a cerveja, não gosto de pingas, essas essas coisas mais forte eu não vendo… alcool aqui é bem controlado.

Bia: E você consegui controlar a galera?
Timba: Consigo, tudo controlado, também e pouca cerveja né, chega uma certa hora que eu digo olha acabou a cerveja e acabou. Assim evito confusão com os vizinhos, o pessoal pode reclamar, o cara não pode chegar ai e ligar o som alto, se não quem mora por perto não vai gostar e vai reclamar.

Bia: E quando você precisa ir no banheiro, como faz?
Timba: Tenho amigos por aqui, me deixam usar o banheiro, até para tomar banho.

Timba Dog (foto: Bianca Ludymila)

Timba Dog (foto: Bianca Ludymila)

Bia: E a noite, é complicada?
Timba: Eu falo para o pessoal, gente eu não mexo com drogas, eu trabalho a noite e conheço a cidade toda, sou um louquinho de Caieiras, mas no bom sentido.

Enquanto eu entrevistava o Timba, a fila foi formando e para não atrapalha-lo fui conversar com a primeira moça da fila, que se identificou como Bruna…

Bia: Esta rolando uma entrevista aqui (risos) você sempre come o dog do timba?
Bruna: sim, não todo dia, mas quase.

Bia: Você mora aqui em Caieiras?
Bruna: Moro no Pinheiros.

Bia: E como você faz? Você compra o dog você espera come ou você sobe mastigando? ou depende da pressa?
Bruna: Não, eu como aqui mesmo.

Bia: Por que aqui?
Bruna: Por que eu fiz amizade com ele (Timba). O cachorro-quente é muito bom, vale muito a pena e o preço é bom.

Timba Dog (foto: Bianca Ludymila)

Timba Dog (foto: Bianca Ludymila)

Me despeço do Timba com a barriga cheia e uma enorme satisfação em saber que uma pessoa tão guerreira está cosneguindo alcançar seus objetivos com o seu trabalho. Aproveite você também para passar alí na Avenida Professor Carvalho Pinto e saborear essa delícia.

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