Bem Estar
5 anos atrás

Cuidado: Fogos de artifício são prejudiciais aos bebês

Cuidado: Fogos de artifício são prejudiciais aos bebês

O ano já chegou na metade e é o momento de muitas das tão esperadas tradicionais Festas Juninas, que além das comidas típicas e comemorações dançantes trazem um espetáculo à parte: a bela queima de fogos de artifício e rojões. Mas, para quem tem um bebê pequeno, é preciso muita atenção, pois as queimas de fogos podem, além de assustar, também lesionar os ouvidos, prejudicando a audição em diferentes níveis e, em alguns casos, ainda há a possibilidade da criança apresentar um zumbido se for exposta a um som muito extenso.

Apesar da importância de se manter a uma distância adequada para evitar danos auditivos, é difícil precisar o quão longe é seguro. O barulho emitido pelos fogos de artifício podem atingir mais de 120 dB (decibels), e o limite seguro de exposição aos sons recomendado por especialistas é de apenas 85 dB por oito horas diárias. E quando a quantidade recomendada ultrapassa esse limite, há grandes riscos de perda auditiva.

Diferente da perda de audição causada por uma condição médica ou genética, a surdez causada pelo excesso de barulho pode ser prevenida. Entretanto, quando a audição é prejudicada, ainda mais em bebês ou recém-nascidos, ela não pode ser reparada, como explica o otorrinolaringologista Khalil Hanna, do Hospital e Maternidade Santa Joana. “Os ouvidos dos bebês ainda estão desenvolvendo sua maturidade e, se a criança for exposta à sons muito altos ou passar muito tempo em um ambiente ruidoso, poderá apresentar uma lesão no ouvido interno, causando uma perda auditiva”.

Os sintomas após longa exposição em locais com muita poluição sonora são diversos, como por exemplo, zumbido, dificuldade para ouvir, irritabilidade, tontura, sensação de ouvido tampado, pressão e estalos, sintomas referidos por adultos. Caso um ou mais sintomas permaneçam mesmo após o término da queima de fogos, é importante procurar um médico para realizar alguns exames que possam verificar os danos.

É importante lembrar que cada criança possui seu limite, por isso há muitas que dormem profundamente em um ambiente barulhento e outras ficam extremamente desconfortáveis. “Se o bebê ficar muito agitado por conta do barulho, o correto é retirá-lo do ambiente ruidoso, pois ele não está adaptado e isso acaba deixando-o irritado. É importante evitar locais com muito barulho e que a voz dos pais ou cuidadores seja sempre de baixa intensidade, a fim de deixar o bebê mais calmo e estimular a plasticidade do nervo auditivo, que é importante nos primeiros meses de vida”, explica o médico.

Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, a PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído), geralmente, a intensidade sonora capaz de provocar danos é a partir de 85 dB e fogos de artifício podem gerar perdas auditivas severas e irreversíveis; por isso é preciso tomar muito cuidado, já que a intensidade do barulho dos fogos, em especial dos rojões, superam esse número mesmo a uma distância superior a três metros.

Na empolgação das festividades é fácil esquecer que o barulho pode estimular demais um bebê e deixá-lo inquieto e incomodado, assim, é importante dar muita atenção aos sinais. Se ele estiver bastante nervoso, o ideal é ficar um tempo com ele em um lugar mais tranquilo. De acordo com Dr. Khalil, não é recomendável o uso de objetos no ouvido de bebês e crianças. “A colocação do algodão no conduto auditivo externo dos pequenos não dá uma prevenção adequada contra o ruído; o indicado seria a utilização dos EPI (Equipamento de Proteção Individual) específicos para os trabalhadores de ambientes ruidosos, chegando a atenuar em torno de 30 dB o ruído do ambiente”.

Alguns exames feitos ainda na maternidade, logo após o nascimento, podem verificar se o bebê possui uma perda auditiva; caso os resultados sejam positivos, é necessário ter ainda mais cautela. Os exames que são realizados nos recém-nascidos, como o de Emissões Otoacústicas Evocadas (EOA) e o Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico (PEATE), são os exames objetivos, ou seja, não dependem da resposta do recém-nascido. “Hoje a Triagem Auditiva Neonatal tem a finalidade de detectar uma deficiência auditiva antes da alta hospitalar, a fim de evitar o prejuízo no desenvolvimento da linguagem e da fala, que pode interferir na vida social educacional e emocional, já que a privação sensorial traz perdas irreversíveis”, explica o médico.

As preocupações se tornam ainda maiores se considerar o fato que, muitas vezes uma alteração na audição era geralmente percebida em torno dos 2 a 3 anos de idade antes da Triagem Auditiva Neonatal na maternidade, perdendo assim um período ideal de estimulação do nervo auditivo que são os primeiros 12 meses de vida. Por isso, é importante a protetização do bebê com deficiência auditiva, em torno dos seis meses de vida.

Para algumas pessoas pode ser difícil, mas o ideal mesmo é resistir à vontade de levar os pequenos para as comemorações dos adultos ou próximos ao local em que vai acontecer a queima de fogos, pois apesar de não haver diferença entre o ouvido de um recém-nascido e de um adulto, a imaturidade auditiva, que se desenvolve nos primeiros 18 meses de idade, pode fazer com que haja lesão na cóclea – que é a parte auditiva do ouvido interno. E caso, após diagnóstico de um otorrinolaringologista, seja constatada alguma perda auditiva, seja leve ou severa, o tratamento deve ser iniciado.


Foto: Randi Deuro (CC BY-NC 2.0)

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