Franco da Rocha
2 anos atrás

Doutora Margareth: Dedicação à medicina e a família

Doutora Margareth: Dedicação à medicina e a família

Na sala cirúrgica está tudo pronto! Bisturi, tesouras, pinças, afastador entre outros instrumentos necessários para se realizar uma intervenção cirúrgica. Agora entra em cena Margareth Consani, a médica responsável para realizar essa operação. No passado, há algumas décadas, isso poderia gerar estranheza, mas atualmente a doutora atua e lidera situações como essa no cotidiano.

Quando criança, Margareth Consani, 62 anos, sonhava em ser bailarina, depois pensou em ser veterinária, no final das contas, decidiu pela medicina, atividade que se dedica com muito amor e empenho.

Casada e mãe de três filhos, a doutora conta que todos seguiram seus passos na área da saúde. Uma filha é médica veterinária, a outra é psicóloga e um filho é dono de uma empresa de ambulâncias.

Há 35 anos formada, com especialização em ginecologia, a médica entrou na primeira turma de medicina na Pontifícia Universidade Católica, (PUC-Campinas), e se recorda que a sala onde estudava era composta de 50% homens e 50% mulheres.

Ela comenta que não sentiu o espírito de competição entre os gêneros e que essa rivalidade só veio acontecer anos depois, quando entrou no mercado de trabalho. “Na faculdade e na residência as coisas eram equiparadas entre os estudantes homens e mulheres, porém, quando entrei no mercado de trabalho, senti a competitividade ficar cada vez mais acirrada. A briga entre os egos era diária”, lembra a médica.

Guerra dos sexos

A concorrência com uma mulher, a princípio incomodava os colegas de profissão do sexo masculino, como explica Consani. “No ambiente profissional o sentimento de rivalidade, competição, vaidade e de poder, se torna mais visível quando seu colega de trabalho é uma mulher”, enfatiza.

Acostumada a realizar muitas cirurgias, a doutora conta que sempre havia disputa por salas cirúrgicas, entre ela e seus colegas. “Quando eu ia realizar alguma cirurgia, vinha um outro médico na minha frente me dizendo que a cirurgia dele era mais urgente, então eu deixava ele passar na minha frente, mas depois ficava sabendo que não tinha nada de urgente.” explica a médica.

Mesmo sendo otimista em relação ao espaço que as mulheres vêm conquistando a cada dia no mercado de trabalho, ela nota que ainda persiste o “Clube do Bolinha” em seu ramo profissional. “Em um hospital onde eu trabalhava sentia essa exclusão pelo fato de eu ser mulher. Certa vez houve uma troca de equipes e quando o novo grupo chegou, o encarregado me procurou e me disse que resolveram diminuir o número de médicos e eu, a única mulher da equipe, fui a escolhida”, relembra a doutora Margareth.

Jornada Dupla

Atualmente muitas mulheres dividem seu tempo com jornadas duplas, entre a casa e o trabalho. Com a doutora Margareth não foi diferente. Mesmo optando pela carreira de medicina, ela não abriu mão de ser mãe e se dedicar à família. “Para mim foi bastante tranquilo conciliar a vida de casada e a vida profissional. Meu primeiro filho nasceu quando eu estava no quarto ano de medicina e eu morava ao lado da faculdade, então ficava fácil sair nos intervalos de período e ir pra casa amamentar”, explica.

Quando trabalhou no hospital São Cristóvão, na Moóca, por 23 anos, entre um plantão e outro era costume a médica amamentar. No local existia um quarto só pra ela, então era possível ser mãe e atender todas as pacientes normalmente. “Deu para conciliar normalmente, porque eu dividia bem o meu horário. No período da manhã eu ficava em casa e a tarde eu ia trabalhar. Durante a noite quando eu fazia plantão meu marido era quem ficava com as crianças”, lembrou.

Família em primeiro lugar

Hoje em dia, com uma jornada de trabalho bem mais reduzida e sem tantos plantões, a Dra Margareth passa mais tempo viajando e curtindo a família. Diz que poderia ter estudado mais, feito mais cursos e se dedicado à profissão, porém, é enfática em afirmar de não estar arrependida. “Família em primeiro lugar sempre. Eu digo pra todos que se não tivesse me dedicado tanto à família, teria me aperfeiçoado mais, porém a família foi e é mais importante. Não me arrependo jamais dessa escolha”, finaliza a mulher.

(Texto e foto: Paloma Cristina)

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