Infectologista fala sobre a Sífilis, doença que volta a preocupar os brasileiros

Infectologista fala sobre a Sífilis, doença que volta a preocupar os brasileiros
Publicado por Bianca Ludymila Peres no dia 17/07/2017 em Franco da Rocha

Uma doença silenciosa que ainda existe e precisa ser falada. Essa é a sífilis. Voltando a assombrar a população e já é tratada mais uma vez como epidemia no país.

Segundo dados do boletim epidemiológico de 2016, disponibilizado pelo Ministério da Saúde, entre os anos de 2014 e 2015 a sífilis adquirida teve um aumento de 32,7%, a sífilis em gestantes 20,9% e a congênita, de 19%. Esses números são assustadores, sendo que em pleno século XXI, para evitar a sífilis adquirida, por exemplo, basta usar preservativo durante as relações sexuais e quando é em gestantes, há o tratamento com penicilina, a famosa benzetacil.

Essa é uma doença que não escolhe público, sendo que pode surgir em bebês, se for a congênita, adolescentes, adultos e idosos e se torna muito perigosa devido seus sintomas que aparecem e somem com muita rapidez.

A Sífilis

Pode iniciar com algumas manchas que começam a se espalhar pelo corpo e, se isso acontecer, basta pensar se teve relações sexuais sem o uso de preservativo. Se a resposta for sim, então é necessário procurar a UBS (Unidade Básica de Saúde) mais próxima, ou um hospital, para fazer uma avaliação médica. O doutor vai encaminhar o paciente para que seja feito um Teste Rápido ou exame de sangue, que dará o resultado em alguns minutos.

A sífilis pode ser de dois tipos, adquirida por meio de relação sexual, ou congênita, quando a mãe transmite à criança durante a gestação.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, a doença é uma infecção de caráter sistêmico causada pela bactéria Treponema pallidum, e que, quando não tratada precocemente, pode evoluir para uma enfermidade crônica com sequelas irreversíveis em longo prazo, podendo levar até a morte.

A transmissão se dá predominantemente por via sexual.

As fases da doença

Primária: Ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele), que aparece entre 10 e 90 dias após o contágio. Não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha.

Secundária: Os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento da ferida inicial e após a cicatrização espontânea. Manchas no corpo, principalmente nas palmas das mãos e plantas dos pés que não coçam, mas podem surgir ínguas no corpo.

Latente – fase assintomática: É dividida em sífilis latente recente (menos de um ano de infecção) e sífilis latente tardia (mais de um ano de infecção). A duração é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.

Terciária: Pode surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção. Costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

Para o Doutor Paulo Antônio Frigi de Carvalho, de 36 anos, médico infectologista que trabalha na prefeitura desde 2011 essa doença não era mais para existir, porém ela vem se intensificando, principalmente por causa da falta de proteção na hora das relações sexuais. “É uma doença que não pode acontecer em pleno século XXI. Por exemplo, mãe portadora de sífilis durante a gestação não faz o tratamento ou não conclui ele e a criança, ao nascer, já adquire a doença dentro do útero da mãe, o que traz consequências gravíssimas sendo que a criança pode nem chegar a nascer, não se desenvolver, ou pode ter morte precoce. Além disso, quando sobrevive poderá sofrer com sequelas pelo resto da vida, problemas neurológicos, de desenvolvimento, entre outros”.

Ainda sobre as fases da doença, o doutor fez um alerta de que a pessoa infectada pode não perceber que adquiriu o vírus. Ele ressaltou a forma de acabar novamente com essa doença. “Lembrando que a sífilis é totalmente prevenida com o uso de preservativo”.

Detectando a sífilis

O doutor afirma que para descobrir a doença basta alguns minutos. “Temos duas armas principais: a sorologia normal na coleta de sangue, em exames que detectam a sífilis e, de uma maneira muito rápida e fácil, por meio do teste rápido”.

Ele ressalta que esse teste pode ser feito nos bairros no município. “Todas as unidades de saúde estão treinadas e capacitadas para a realização desse teste. O resultado sai em 5 a 10 minutos para o paciente. O médico saberá interpretar o exame e direcionar o tratamento do paciente o mais rápido possível”.

Tratamento

Segundo o especialista, o tratamento mais eficaz que não deve faltar é com o uso de penicilina, a famosa benzetacil, mas ele afirma existir tratamentos alternativos com outros antibióticos. “O Brasil sofre, há cerca de uns dois anos, com o desabastecimento desse medicamento (penicilina). Muitos casos de sífilis adquirida que não seja em gestantes, tivemos que usar tratamentos alternativos, que não tem a eficacia tão alta, o que pode ter contribuído para o aumento no número de casos. Nos últimos meses houve uma melhora no acesso ao medicamento”.

Vale ressaltar que não existe tratamento alternativo para gestante com sífilis a não ser a penicilina.

Paulo afirma que o tratamento clássico são seis injeções de benzetacil, uma de cada lado da nádega, por três semanas consecutivas. “É importante o conhecimento do profissional de saúde saber se o tratamento deu certo ou não, se vai precisar de um novo tratamento, pois tratar essa doença não significa receber a injeção e ir embora para casa. Pronto a pessoa está curada, não, tem que fazer o tratamento do paciente e também do parceiro sexual do paciente, se existir um parceiro fixo e haver um acompanhamento médico durante, pelo menos, dois anos para então ter certeza que o problema foi resolvido”.

(Texto e foto: Ewerton Geniseli)

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+ Franco da Rocha

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