Curiosidades
5 anos atrás

Emocionante: Mendigo poeta ganha uma segunda chance de ser feliz

A incrível história do mendigo poeta virou um documentário, confira:


Página de Raimundo Arruda Sobrinho no Facebook (reprodução)
Página de Raimundo Arruda Sobrinho no Facebook (reprodução)
Em Goiânia festejou 74 anos e ainda confessa: ‘Se pudesse, eu voltava’, Raimundo que vivia em SP e foi localizado pela família após perfil no Facebook. Shalla Monteiro, moradora da região onde Raimundo vivia há quase vinte anos, criou uma página para ele no Facebook, por onde o morador foi reencontrado, no alto de Pinheiros (Zona Oeste – São Paulo). Ele chegou na casa dos parentes num domingo.

Raimundo diz ainda não ter se acostumado com a nova vida, mesmo perto de amigos e familiares. Com novo visual, depois de cortar os cabelos ganhou uma festa de aniversário em comemoração aos seus 74 anos e morando com o irmão, a cunhada e dois sobrinhos. Em entrevista, ele revela que gostaria de voltar a vida que tinha antes para evitar que os outros se preocupem demais com ele: “Se pudesse, eu voltava nesse instante para viver da maneira que vivia e, assim, não dar trabalho a ninguém”.

Ele diz que é socialmente inválido e estragado e que está em Goiânia porque o levaram, pois não era preferência nem escolha: “Estou aqui porque me trouxeram. Meu irmão tem seus afazeres e eu estou aqui dando trabalho. Isso que não gosto. Bom é cada um ser válido. Eu sou um inválido, não sirvo para nada nas condições que estou”.

O Irmão do ex-morador de rua, que o buscou em SP, Francisco Tomaz Arruda, 56 anos na época diz que a alegria de tê-lo por perto é muito grande e que estarão juntos sempre, somando-se mutuamente. “É uma alegria muito grande. Vamos estar juntos sempre, somando um ao outro. É um momento da vida extremamente feliz e que é ímpar. Ele acha que está incomodando, mas fala isso porque é uma pessoa fina, recatada, que gosta de estar dentro do seu espaço. Ele acha que isso é trabalho, mas não é. Trabalho é fazer uma coisa que a gente não gosta”, declara Francisco com muita alegria.

O irmão ainda afirma que está cumprindo com a promessa que fez para a mãe antes da sua morte. Acreditam ser um rebanho de cinco. Mas a falta de Raimundo era tamanha, e quando o encontrasse, o que tinha certeza que aconteceria, cuidaria dele. Ai sim a família estaria completa.

No começo, Raimundo teve de tomar vitaminas, pois estava além de magro, fragilizado. Depois de encontrar o perfil do irmão, em setembro de 2011, Francisco foi a São Paulo por seis vezes antes de conseguir levá-lo para Goiânia. Assim que o achou, o colocou em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) até que tivesse condições de recebê-lo em sua casa, na capital goiana.

O empresário diz que Raimundo ofereceu resistência para ir morar com a família, mas acabou cedendo. “Ele não sabia como estavam as coisas e por que estávamos fazendo aquilo. Uma pessoa que passou todo esse tempo na rua cria uma nova forma de ver o mundo”, completa.

A Maior das mudanças foi no visual. “Ele tinha o cabelo grande que servia como uma espécie de travesseiro. Uma barba longa para proteger o rosto e usava um plástico como roupa. Não usava roupa normal porque diz que tecido cria fungos e bactérias e isso ia deixá-lo ele com mau cheiro”, diz o irmão. Mesmo elogiado sobre a nova aparência, ele rebate sem entusiasmo: “Isso não vale nada”.

Passando por uma bateria de exames, tem acompanhamento psicológico e deve fazer uma cirurgia nos olhos por causa da catarata que prejudica sua visão. A expectativa de Francisco é dar ao irmão uma vida digna e “o que ele merece”. “A saúde dele, pelas situações que ele viveu e pela idade que tem, está boa. Dentro de um panorama geral, poderia ser muito pior. Ele é um guerreiro”, diz Francisco.

Raimundo diz que não há felicidade ou infelicidade porque todo mundo vive os dois. Questionado se está ou não feliz, Raimundo filosofa:

“Não há felicidade nem infelicidade. Todo mundo é feliz e infeliz”.

Escrevi um diário e quis publicar. Queria vender o material nem que fosse a preço de salário mínimo, mas ninguém quis”, lamenta. Em São Paulo, Raimundo foi vendedor de livros e jardineiro. Uma de suas paixões sempre foi escrever poemas, mas, de acordo com ele, o interesse na prática hoje em dia já não é o mesmo. “Gostava muito de ler, mas não quero ler mais.

Na década de 80, Raimundo participou de um programa de TV e foi reconhecido por um amigo da família, que pagou uma passagem de avião para que Raimundo fosse até Goiânia, onde Francisco viu o irmão pela primeira vez. De acordo com o irmão, ele ficou na cidade quase 20 dias, mas não gostou e pediu para voltar para São Paulo.

Ele sempre quis estudar, e a cidade onde nasceu, Piacá (TO), era muito rural e sem estrutura. Antes de ir para São Paulo, na década de 60, Raimundo morou na casa de amigos de seus pais em Carolina (MA). Depois de alguns anos, ele resolveu ir para a capital paulista dar continuidade aos estudos no ensino médio. Segundo Francisco, Raimundo foi morar na casa de amigos da família. Depois de alguns anos, esse casal mudou de cidade e Raimundo ficou sozinho. A partir daí, ele deixou de mandar notícias.


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