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4 anos atrás

Ministério Público vai abrir inquérito sobre rompimento de barragens em Minas

Ministério Público vai abrir inquérito sobre rompimento de barragens em Minas
Antonio Cruz/ Agência Brasil

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) divulgou hoje (9) nota informando que abrirá inquérito civil para apurar as consequências e os impactos sociais e ambientais provocados, em municípios capixabas, pelo rompimento, em Mariana (MG), das barragens de rejeito da empresa Samarco.

De acordo com o documento, ainda hoje deve ser encaminhada uma equipe técnica para apuração dos prejuízos sociais e bens ambientais afetados pela lama resultante do desastre que atingiu o Rio Doce e que deve chegar ao Espírito Santo ainda nesta tarde. A previsão é que o nível do rio suba até um metro e meio e que o município de Colatina tenha o abastecimento de água suspenso em decorrência do acidente.

Segundo informações da assessoria de imprensa do governo do Espírito Santo, por causa das dificuldades no abastecimento de água nos municípios de Baixo Guandu e Colatina, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) suspendeu, a partir de hoje, aulas em 12 escolas estaduais localizadas nesses dois municípios.

O Ministério Público orientou os municípios capixabas a elaborarem laudos de gastos com prejuízos e atividades emergenciais, a fim de que possam ser ressarcidos. Os promotores de Justiça estão de sobreaviso para acompanhar e dar apoio necessário ao Poder Público e à população.

O MPES solicitou que órgãos públicos e associações de pescadores e ambientais coletem informações, fotos, filmagens, documentos e outros elementos de convicção sobre eventuais prejuízos – danos à saúde humana, mortandade de peixes e destruição da flora – causados pelos rejeitos ao longo da calha do Rio Doce.

A iniciativa do MPES tem por objetivo colaborar com a adoção de medidas de reparação dos danos causados ao meio ambiente e a terceiros afetados.

Vilarejo que restou após rompimento de barragens lembra cidade fantasma

Poucas ruas e casas do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), resistiram ao rompimento de duas barragens da mineradora Samarco na última quinta-feira (5). Em meio ao cenário de muita lama, barro e destruição, o que restou lembra uma cidade fantasma. É possível escutar, em meio à desolação, apenas o canto dos pássaros e o barulho das máquinas que abrem acesso para as equipes de resgate.

Na parte alta da comunidade, uma das poucas casas com movimentação é a de Edirleia Marques, 38 anos, e Marcílio Ferreira, 41 anos. A dona de casa e o operador de máquinas moravam na região com os dois filhos, de 10 e 2 anos, e tem voltado ao local desde sexta-feira (6) para auxiliar bombeiros e homens da Defesa Civil e do Exército nas buscas.

A antiga moradia do casal agora funciona como um ponto de apoio para as equipes que trabalham em Bento Rodrigues. Numa rápida volta pela residência, é possível ver um velotrol e um cavalinho de madeira do filho caçula. Na sala, o sofá e a televisão permanecem no mesmo lugar onde foram deixados, assim como a mesa de seis lugares da família.

Há pelo menos três dias, Edirleia e Marcílio ajudam os homens do resgate a se localizar no que restou da comunidade. Na memória de cada um, permanece fresca a lembrança de onde viviam vizinhos e moradores do distrito que seguem desaparecidos. “É ruim ir embora. A gente quer acreditar que está tudo como antes. Ainda me sinto confortável aqui”, contou Edirleia.

No momento em que a lama atingiu Bento Rodrigues, os filhos do casal estavam em casa. A mãe estava na parte mais baixa da comunidade, devastada pela lama e pelo barro, mas voltou correndo para retirar a família do local. “Meu filho mais novo me pergunta muito sobre a casa. Já o mais velho, que sempre foi calado, não fala muito. Mas ele viu a coisa toda. Viu as casas sumindo, as pessoas correndo”, lembrou a mãe.

Apesar do trauma, marido e mulher garantem que estarão de volta à casa nos próximos dias para auxiliar as equipes de resgate – e também numa tentativa de se apegar ao local onde nasceram, cresceram, se conheceram e começaram uma família. De mãos dadas, eles caminhavam pelas ruas e observavam em silêncio a devastação que tomou conta do local.

“Vamos voltar sempre que possível. Quero estar aqui de novo no dia seguinte. É muito difícil sair de um lugar onde a gente se sentia tão bem”, disse Marcílio, em um dos poucos momentos em que conversou com a equipe de reportagem.

Identificada segunda vítima de desastre em Mariana

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais informou há pouco que identificou o segundo corpo resgatado do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG).

O corpo de Sileno Narkievicius de Lima, de 47 anos, foi identificado na noite de ontem (8). Ele era funcionário da Integral Engenharia e foi retirado da Barragem do Fundão.

Outros dois corpos, ambos do sexo masculino e ainda não identificados, passaram por necrópsia na cidade de Ponte Nova e foram encaminhados para o Instituto Médico-Legal de Belo Horizonte. Três pessoas permanecem internadas no Hospital João XXIII, também na capital mineira.

A corporação confirmou que o número de pessoas desaparecidas foi reduzido de 28 para 25, sendo 12 funcionários que prestavam serviço para a mineradora Samarco e 13 moradores da região. Duas pessoas que estavam na lista anteriormente foram encontradas em hotéis da cidade de Mariana.

Ainda de acordo com o novo boletim, os desabrigados totalizam 601 pessoas, que já estão hospedadas em hotéis da região.

“Foram reforçadas também as ações de Defesa Civil com o transporte por helicópteros de mantimentos e medicamentos nas comunidades isoladas no município de Barra Longa”, informou o comunicado.

Em Mariana, a Defesa Civil tenta restabelecer o fornecimento de água e luz em localidades afetadas. Equipes especializadas ainda trabalham no resgate de animais em risco, que estão sendo medicados e encaminhados a um abrigo municipal. Pela manhã, um cavalo, uma vaca e um bezerro foram retirados de Bento Rodrigues.

Com informações da Agência Brasil.

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