Nem te conto…

Nem te conto…
Publicado por Wagner "Aleluia" Bastos no dia 20/02/2015 em Cotidiano

Com certeza você já ouviu estas palavras. Mas já parou para pensar no real sentido delas? Quando alguém nos diz isso parece que nosso ouvido “coça” imediatamente, aguça nossa curiosidade, queremos ouvir a novidade o mais rápido possível.

E a pessoa que diz “nem te conto…” quase sempre está desesperada para falar e, via de regra, ao abrir a boca, começa a fofocar ou, como tenho ouvido atualmente, “atualizar”, parece que quer apertar a tecla F5 do computador.

Devemos ter muito cuidado com nossas palavras pois, uma vez ditas, não voltam atrás. Quantas vezes nos arrependemos de ter dito algo que não deveríamos, quantas vezes gostaríamos ter ficado calados. Antes de falar algo de alguém devemos analisar alguns pontos sobre o assunto.

O primeiro ponto, o qual acho o mais importante, é: O que vou dizer é verdade? Pense muito bem nisso, falarei a verdade ou “ouvi dizer que“ ou “alguém falou que está no facebook da amiga da tia do cunhado da prima do namorado da minha colega”. Antes de falar qualquer coisa a respeito de alguém, tenha certeza que está dizendo a verdade, não passe por mentiroso.

O segundo ponto que devemos analisar é: Preciso falar sobre o assunto? É mesmo necessário falar que o colega de trabalho foi visto embriagado no bar da esquina? Preciso mesmo contar que a filha adolescente da vizinha está grávida? Pare de alimentar fofoca.

O terceiro ponto que devemos considerar é: O assunto vai edificar ou destruir? Viu o colega embriagado? Que tal chegar até ele e oferecer ajuda para se livrar do vício? A filha adolescente da vizinha está grávida? Em que você pode auxiliar? Se não for para ajudar é melhor ficar da boca fechada.

Anos atrás tive um encarregado que detesta fofoca. Quando fulano ia falar algo de sicrano ele logo chamava o sicrano e dizia: “Sicrano, fulano quer falar algo sobre você, ouça.” Esse método acabou com fofocas no local de trabalho. Tente fazer como ele, convide a pessoa de quem você irá falar para participar da “atualização”.

Já diz o ditado: “Quem conta um conto aumenta um ponto”. Quanto alguém vier “atualizar” com você, antes de começar, pergunte: O que você vai dizer é verdade? Você acha que preciso saber disso? O que você quer contar é edificante? Se alguma das respostas for não ou não sei, melhor nem ouvir. Lembre-se que, um dia, você poderá ser o assunto. Você gostaria de ser difamado e/ou caluniado?

Se puder faça um teste para ver como uma história muda quando passa “de boca em boca”. É simples e rápido. Chame cinco ou seis pessoas e conte algo para uma delas. Pode ser uma coisa engraçada que você vivenciou, pode ser uma receita de torta, pode ser uma notícia que você ouviu na TV, ou qualquer outro assunto. Só tem um detalhe: Você tem que contar em segredo, pode ser no ouvido ou em um lugar que estejam só vocês dois. Depois peça para essa pessoa que ouviu sua história contá-la para outra pessoa, também em segredo, e assim por diante até chegar na última. Depois reúna o grupo e peça para que a última pessoa que ouviu a história contá-la na presença de todos. O que acontecerá? Nem te conto…

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Wagner "Aleluia" Bastos

Formado em administração de empresas, trabalhou por mais de dez anos na área de recursos humanos e, há treze anos, é funcionário público estadual.

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